Com uma redação de nove jornalistas empenhada nas questões ambientais, o Azul é o projeto mais verde do diário Público. A missão é transmitir informação de forma mais dinâmica e com uma narrativa livre de demagogia

Durante o seminário “Climate Journalism Goes to the University”, que teve lugar no dia 6 de março, na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), em Lisboa, Aline Flor, jornalista do Público há sete anos e editora do projeto Azul, apresentou o trabalho que a equipa de jornalistas tem vindo a desenvolver na plataforma desde há dois anos, ao mesmo tempo que avançou algumas possíveis soluções a um dos principais problemas na área: “Como contar histórias sobre o clima de forma que envolva?”. 

Lançado no 32º aniversário do Público, a 5 de março de 2022, o Azul veio responder à urgência de abordar certos assuntos considerados prementes, uma vez que, segundo a jornalista, “existia um vazio nesta área e que o projeto pretende preencher”. Como explicou: “A crise climática é o tema mais urgente da nossa geração. Neste espaço, abordamos assuntos complexos de forma simples, do clima à biodiversidade, da atmosfera aos oceanos, dos glaciares à poluição, da sustentabilidade à energia. Somos uma equipa a trabalhar desde a notícia de última hora até aos grandes dossiers.” 

O segredo de contar histórias

Com os níveis do mar a subir, glaciares a derreterem, zonas costeiras a desaparecer e animais em vias de extinção, o projeto Azul responde, sobretudo, à necessidade de trazer as alterações climáticas para a ordem do dia. Através da partilha de conteúdos de multimédia, em plataformas como o Facebook, TikTok e Instagram,  o projeto tem conseguido atingir diversas gerações de leitores, dos mais jovens aos mais velhos. “Notícias mais exaustivas ou que normalmente não tenham muitas visualizações, como é o caso de peças sobre a COP (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas) ou a União Europeia, tornam-se mais atrativas se forem mais ‘reader-friendly’, ou seja, apresentados em quizzes ou pequenos vídeos”, exemplificou. O Azul tem, inclusive, um quiz que ajuda a compreender a origem do seu logotipo. Se sentir curiosidade, pode descobrir o jogo online “o que sabe sobre o ponto-azul claro eternizado por Carl Sagan?.

Os estudos sobre os media indicam que as narrativas com um tom mais alarmista ou mais pessimista têm tendência para causar o afastamento do público. Como ficou explícito na apresentação inicial do jornalista Ricardo Garcia, “os leitores preferem histórias que apresentam soluções, histórias personalizadas e positivas”. 

A insistência no tema sem ser de uma forma construtiva tem merecido, na opinião de Aline Flor, o desinteresse e a indiferença por muitos que se dizem “cansados de ouvir o mesmo ou se mostram descrentes da possibilidade do ser humano viver de forma harmoniosa com seu meio”.  Curiosamente, Portugal contraria esta tendência. “É dos países que mais consome notícias climáticas na Europa”, indicou a jornalista. 

Com um número de leitores a subir a cada dia, o foco do Azul não é apenas o grande público. Escrever sobre minorias e os seus problemas está no radar da equipa, seguindo sempre a preocupação de dar voz aos casos que não recebem a devida atenção, no que diz respeito à sustentabilidade, ao ambiente e à crise climática e na relação que estabelecem com as pessoas. “Num desastre climático, quem se preocupa com pessoas com deficiência?”, questionou Aline Flor. 

A problemática dos combustíveis fósseis

Na COP 28, que teve lugar no Dubai em 2023, onde  líderes de diferentes países se reuniram para discutir vários problemas inerentes às alterações climáticas, a causa do grande furor focou-se, sobretudo, no tema dos combustíveis fósseis. “Entre fortes discussões e desacordos. chegou-se ao fim do evento com um acordo que visa à resolução deste grande problema. Ainda assim, nada foi resolvido. Há uma grande diferença entre o que se diz, o que se faz e o que o estado pode fazer”, comentou Aline Flor, acrescentando que “muitas das medidas que foram tomadas neste evento com o objetivo de combater os combustíveis fósseis permaneceram por concretizar, o que enalteceu a falta de compromisso dos grandes líderes do mundo em combater este grande problema mundial”.

“Atribuir mais importância à mensagem dos ativistas e ajudar a dar voz”. É esta a obrigação dos jornalistas, no entender da editora do Azul. Como justificou: “Devem dar a conhecer à população como e por que é que os ativistas estão a realizar aquela manifestação ou defesa de uma causa e como podem ajudar.” O jornalista tem – acredita – “um trabalho de spread the word (espalhar a palavra), não só na questão do ativismo, mas em tudo o que nos rodeia”.

Alunos do 1º ano da Licenciatura em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS)

Artigo editado por Fátima Lopes Cardoso

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