MotoGP: quando a sustentabilidade sobe ao pódio

 A MotoGP, o mais antigo campeonato do mundo de desportos motorizados, regressou ao traçado de Portimão para a conhecida “montanha-russa”. Este ano, o Grande Prémio Tissot de Portugal conseguiu um feito único:  ser o mais sustentável de sempre

As emissões de CO2 resultantes do uso de automóveis são uma fonte significativa de poluição e têm gerado grande preocupação entre várias organizações ambientais. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, nas últimas três décadas, as emissões de gases de efeito estufa provenientes de veículos automotores e rodoviários aumentaram 33,5% entre 1990 e 2019. Embora a única maneira de reverter essa tendência negativa seja mudar o tipo de combustível utilizado e aumentar a circulação de veículos elétricos, esses meios de transporte ainda representavam apenas 17,8% de todos os novos registos em 2021. Em 2019, 66,70% dos carros na Europa eram movidos a diesel, enquanto 24,55% utilizavam gasolina.

Pode representar uma gota no oceano, mas a organização do maior campeonato mundial de motociclismo, a MotoGP, parece estar empenhada em dar o exemplo e contribuir para inverter estas estatísticas. Até 2027 prevê-se a alteração para combustíveis 100% de fontes renováveis até 2027. E até lá, como é que os Grandes Prémios têm apostado na preservação do ambiente? O Autódromo Internacional do Algarve tem até agora medalha de ouro neste “campeonato”.

Em março deste ano, a MotoGP regressou ao traçado de Portimão para a conhecida “montanha-russa”. O pódio ficou fechado com Jorge Martins, o atual líder do campeonato, em primeiro, seguido pelo italiano Enea Bastianini e Pedro Acosta ficou com o bronze. O português Miguel Oliveira terminou em 9º lugar. Além de marcar  posição no campeonato com um piloto nacional em competição e um circuito no calendário anual, Portugal tem-se destacado em questões ambientais. O Grande Prémio Tissot de Portugal foi o mais sustentável de sempre. Rui Belmonte, representante da equipa de marketing do AIA, explica a relevância deste tema. “A sustentabilidade é de importância maior neste tipo de eventos e no AIA temos adotado medidas que visam reduzir o mais possível a ‘pegada ecológica’ dos nossos eventos”, garante.

Foram utilizados painéis solares capazes de gerar até 250Kw para fornecer energia ao Media Centre. Quanto ao Paddock, as scooters de circulação foram todas movidas a energia elétrica. Além destas viaturas motorizadas se tornarem mais sustentáveis, em todos os outros veículos de apoio e geradores que alimentaram as diversas zonas do circuito foram utilizados combustíveis sintéticos. 

Na linha da frente a nível mundial

No autódromo, passaram milhares de apaixonados pelo motociclismo. O desperdício alimentar poderia ser um enorme problema. Porém, o AIA comprometeu-se a doar os alimentos não utilizados. Acordos estabelecidos com empresas externas permitiram aos organizadores substituir o desperdício por uma ajuda a quem mais precisa, com a recolha dos alimentos, por parte dessas instituições, no final do Grande Prémio.

A reciclagem também foi um ponto a ter em consideração. Foram reciclados todos os pneus utilizados e toda a água residual foi reutilizada, por exemplo, na rega das áreas verdes do circuito. Estas medidas têm em vista a certificação ISO 20121. A norma foi criada para levar aos grandes e pequenos eventos uma maior sustentabilidade. Ajuda os organizadores a identificarem e gerirem os impactos sociais, económicos e ambientais dos seus eventos de uma forma sistemática. Rui Belmonte assegura que é um dos objetivos para o final deste ano: “As medidas adotadas pelo Autódromo Internacional do Algarve foram amplamente elogiadas, depois de observadas pelos responsáveis do campeonato. Estamos na linha da frente quanto à sustentabilidade neste tipo de recintos, a nível mundial, e assim vamos continuar, pois queremos receber a certificação ISO 20121, no final deste ano, que confirmará o elevado parâmetro de sustentabilidade dos nossos eventos. As medidas que foram adotadas aquando do GP são da responsabilidade do AIA e não do promotor do campeonato.”

Como confirma o representante da equipa de marketing do AIA, “as iniciativas foram bem vistas e abraçadas pelos que passaram pelo circuito. Não foi apenas cumprida por todos os elementos de equipas e staff, bem como pilotos, mas igualmente elogiada por todos os envolvidos. Muitas das medidas foram, inclusive, anotadas para serem seguidas noutros circuitos e pelo próprio campeonato”.

Num mundo cada vez mais preocupado com a causa ecológica, Rui Belmonte considera este passo importante para a continuidade de um campeonato mais sustentável: “O desporto motorizado e o campeonato do mundo de motociclismo querem ser sustentáveis sem perder o seu carisma e espetáculo. Durante o GP, a adesão do público em seguir as indicações nesse sentido foi fantástica”. A organização do MotoGP está empenhada em que “as medidas atualmente seguidas continuem a ser aumentadas e melhoradas no futuro”.

Aluna do 1º ano da Licenciatura em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS)

Artigo editado por Fátima Lopes Cardoso

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