Futuro do jornalismo climático aproxima estudantes portugueses e noruegueses 

Partindo da dúvida se “estamos a construir para o futuro tendo em conta as alterações climáticas?”, quatro alunos partilharam as suas experiências numa palestra reveladora. O momento consolidou a cooperação estabelecida entre estudantes universitários de geografias europeias opostas

A sexta e última intervenção do seminário “Climate Journalism goes to the University”, que decorreu no final da tarde de quarta-feira, 6 de março, na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), deu voz aos alunos que participam no projeto. A palestra contou com a presença dos estudantes Maria Maia, do mestrado em Jornalismo, Gabriel Miraldo, do 3º ano da licenciatura em Jornalismo, da ESCS (Escola Superior de Comunicação Social), e dos jovens noruegueses Eirik Gogstad e Kristina Krogh, da Universidade Metropolitana de Oslo (Oslo Met).

Os estudantes da ESCS embarcaram numa experiência única e enriquecedora em Oslo, na Noruega. “Foi importante elaborar este projeto ao terminar a faculdade porque poderá ser a cereja no topo do bolo para quem faça o curso de Jornalismo: ir a um país realizar uma reportagem e trabalhar com outros jornalistas”, revelou Gabriel Miraldo. 

Durante uma semana intensiva, de 4 a 9 de fevereiro, os alunos participaram em eventos, conduziram entrevistas e exploraram temas de relevância local e global. Esta viagem não só proporcionou aos estudantes uma experiência prática valiosa, como também fortaleceu laços entre os portugueses e noruegueses aspirantes a jornalistas. “É bom ter, finalmente, um projeto mais prático juntamente com a Oslo Met”, admitiu Maria Maia.

O que começou como um encontro entre alunos, no moderno edifício da Deichman Library, projetado pela Lund Hagem Architects e Atelier Oslo, passou a ser o início de uma experiência enriquecedora no percursodos futuros jornalistas. Como recordou Maria Maia: “O facto de estarmos nessa biblioteca foi um ponto inspirador no tópico que acabámos por escolher para orientar a nossa semana de reportagem.”

Os estudantes portugueses participaram em aulas, nas quais foram abordadas perspetivas diferentes e bastante importantes sobre questões climáticas. Tiveram ainda oportunidade de visitar o famoso edifício “Vertikal Nydalen”, construído na antiga zona industrial de Nydalen, junto ao rio Akerselva, em Oslo, e cujos 18 andares são considerados um modelo arquitetónico de sustentabilidade. No entender da aluna de mestrado, “é importante que quem projeta um prédio como este não pense apenas em ter estátuas de mármore, mas também se preocupe com as pessoas que vão lá morar e, sobretudo, como é que elas podem ter uma qualidade de vida que esteja associada à proteção do ambiente”.

Outro dos momentos altos da visita a Oslo foi o início da concretização das reportagens. Os alunos entrevistaram especialistas e pessoas que pudessem ser testemunho das inovações sustentáveis, como é o caso de dois arquitetos portugueses: Alexandra Cruz, com vasta experiência profissional no desenvolvimento e coordenação de projetos na área da gestão de fundos imobiliários, e Nuno Almeida, arquiteto paisagista que acumulou uma ampla capacidade na liderança de projetos de grande escala e complexidade. Além disso, entrevistaram o embaixador português da Noruega, Pedro Pessoa e Costa, que lhes falou sobre a relação entre os dois países e sobre o financiamento do projeto pela EEA Grants. 

A estadia da equipa portuguesa terminou na Oslo School of Architecture and Design, onde tentaram perceber se os jovens estão a pensar nos edifícios para o futuro. “Para nós, é importante ver como é que as pessoas da nossa idade estão a pensar sobre o futuro porque as alterações climáticas são irremediáveis, um dia acontecerão”, explicou Gabriel Miraldo.

A intervenção dos alunos portugueses no seminário “Climate Journalism goes to the University” culminou numa sessão de esclarecimento de dúvidas, na qual foram questionados sobre as adversidades que sentiram nesta experiência. Em resposta, Gabriel Miraldo e Maria Maia explicaram que o maior desafio foi acreditar que iam mesmo conseguir alcançar os objetivos e realizar o projeto com pouca preparação e tantas adversidades: “Foi tudo uma grande aprendizagem, com influência das professoras com experiência no mundo do jornalismo.”

De Oslo para Lisboa

Concluída a primeira parte da palestra, chegou a vez de Eirik Gogstad e Kristina Krogh tomarem a atenção do público. Os dois estudantes noruegueses iniciaram agora o projeto final que lhes permite concluir o bachelor degree, em Oslo – o equivalente à licenciatura em Portugal. Ambos partilharam a experiência em Lisboa, mostrando-se interessados e empenhados tanto em conhecer a cidade como em pesquisar sobre o projeto de jornalismo ambiental que desenvolvem.

Kristina Krogh revelou-se surpreendida com a proximidade do mar e com a grandeza do país que estava a visitar: “Sei pouco acerca da cultura portuguesa, mas, desde já, estou encantada e desejosa de conhecer mais”.

Ao serem confrontados com a possibilidade de não conseguirem um bom emprego na área do jornalismo, Eirik Gogstad confirmou que a instabilidade lhe causa receio: “Preocupa-me o facto de a maioria dos trabalhos na área serem temporários, o que acaba por ser prejudicial.”

No momento em que Kristina Krogh aproveitava para realçar a importância do jornalismo na atualidade, George Pleios, professor na Universidade de Atenas e diretor do Laboratório de Pesquisa Social nos Mass Media, interveio para estabelecer uma ponte entre as palavras de Kristina Krogh e o 5º Congresso de Jornalistas, que ocorreu entre 18 e 21 de janeiro, em Lisboa, em que foi referido que “os jornalistas têm uma missão, mas essa missão, por vezes, não paga as contas”.

Alunos do 1º ano da Licenciatura em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS)

Artigo editado por Fátima Lopes Cardoso

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