As portas fecham-se. Os microfones ligam. As câmaras começam a fazer o clique. Assim começa o seminário “Climatic Journalism Goes to the University”, na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS). Uma partilha de experiências, opiniões e, sobretudo, ensinamentos
A preocupação sobre o futuro é visível nos olhos de cada interveniente. Um suspiro coletivo paira no ar, enquanto o tema se desenrola: “O aquecimento global e as suas consequências.” É neste cenário de inquietação e urgência que a voz de Ricardo Garcia, jornalista há mais de três décadas e um dos pioneiros em informação sobre o clima, ressoa com sabedoria. “O planeta está neste estado devido ao efeito estufa e o problema está a agravar-se”, declara com uma firmeza que apenas a experiência o pode confirmar. Os murmúrios de aprovação misturam-se com o som das canetas dos alunos a rabiscar o papel, para registar cada palavra pronunciada pelo jornalista.
No decorrer da intervenção, o conhecimento e determinação de Ricardo Garcia é notável. “O jornalismo é aprender”, afirma, considerando uma “obrigação” por parte do repórter interessar-se pelo mundo exterior. “Para escrever sobre este tema, o clima e o aquecimento global, é necessário falar com pessoas e ler, ler muito, ler sobre coisas secantes. É mesmo muito importante.”
Ao longo do discurso de Ricardo Garcia, emerge uma conclusão: o jornalismo climático não apenas evoluiu, ao longo das décadas, como também se transformou numa força crucial no combate a qualquer problema ambiental. O jornalismo climático passou por uma verdadeira transformação. Desde os primórdios, quando as preocupações ambientais eram ignoradas por qualquer um, até aos dias de hoje, em que a crise climática é reconhecida como uma das questões mais urgentes enfrentadas pela humanidade.
No turbilhão de dados científicos, políticas ambientais e inúmeros fenómenos climáticos, as palavras “trabalho”, “dedicação” e “esforço” surgem como uma necessidade para aqueles que querem desvendar e comunicar toda a verdade sobre o que se passa no nosso Planeta Terra. “Se escreverem sobre o jornalismo climático têm de estudar muito porque a informação não vem ter convosco. Têm de ser vocês a dedicarem-se ao máximo e investigarem”, afirma Ricardo Garcia.
Com o passar do tempo e a crescente dimensão das notícias sobre alterações climáticas, Ricardo Garcia deixou explícito: “Quando escreverem sobre alterações climáticas, não usem o termo alterações climáticas. Arranjem outra maneira.” No entender do jornalista, é necessário encontrar formas criativas e inspiradoras de reacender a paixão pela proteção do meio ambiente e promover uma narrativa de esperança e soluções positivas. “Quando ninguém fala sobre a crise climática é uma oportunidade para abordar novas ideias. Do it something about it”, indica.
Desde os primeiros sussurros acerca do efeito estufa até aos gritos urgentes da atualidade sobre a crise climática, o jornalismo tem sido a voz que ecoa, educando e inspirando a sociedade à ação. Assim, revela-se uma ferramenta essencial na busca por soluções e na defesa de um futuro sustentável para o nosso planeta.
Alunas do 1º ano da Licenciatura em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS)
Artigo editado por Fátima Lopes Cardoso